Às vezes acho que posso viajar pra lugares distantes, para o outro lado do mundo. Que posso enfrentar tudo e todos sozinho, que sou a pessoa mais forte e independente que existe. Mas às vezes me acho tão fraco que não posso dar mais do que meia dúzia de passos sem segurar sua mão.
Tem vezes em que tudo me parece tão medíocre e eu desejo quebrar a rotina pacata e brilhar mais do que qualquer astro na constelação da vida. Mas tem vezes em que acho que não há nada melhor do que um lar, onde serei todo dia recebido com amor e carinho. Um lugar meu onde posso ser quem sou e estar com quem amo.
Por vezes sinto necessidade de ser visto por todos, conhecido pelo mundo, de dizer o que penso e semear minhas idéias. Mas por vezes penso que só preciso ser visto por você, que só você merece e precisa conhecer-me a fundo. Penso que apenas você deva compartilhar das minhas idéias e que somente o seu apoio já é mais do que suficiente.
Há horas em que acho que somente o mundo pode ser meu palco e minha platéia, mas há horas em que penso que você é a melhor e mais crítica platéia existente, que não preciso de ninguém mais. Algumas horas quero gritar pro mundo o que sinto, fazer meus prantos ecoarem e minhas gargalhadas ensurdecerem o planeta. Mas algumas horas quero apenas desabafar em segredo no seu ouvido e ser consolado, contar-te uma piada e apenas observar você sorrindo.
Acho que estou num dilema. Será que o que quero é o mundo? Ou será que só quero você?
LET'S GET UNCONSCIOUS HONEY
terça-feira, 25 de maio de 2010
Frase Musical do Dia
"You can't hurt me now, I got away from you, I never thought I would. You can't make me cry, you once had the power.
I never felt so good about myself."
Música: Oh Father
Artista: Madonna
Composição: Madonna e Patrick Leonard
I never felt so good about myself."
Música: Oh Father
Artista: Madonna
Composição: Madonna e Patrick Leonard
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O Circo
De repente eu estava na arquibancada do circo, havia muita gente ali. O palhaço, no centro do picadeiro, fazia graças e todos gargalhavam. Menos eu, nem sabia o que estava fazendo naquele lugar e não estava achando a menor graça, na verdade estava me sentindo mal. O palhaço precisava de um voluntário para um de seus números, eu tinha certeza que um dos empolgados espectadores se pronunciaria e olhei para o rapaz do meu lado que gargalhava há alguns instantes. Ele não estava mais ali, nem a moça do outro lado, ou o senhor da minha frente. Não havia mais ninguém. Era só eu e o palhaço.
O palhaço me chamou para o picadeiro e eu não tive escolha. Ele arrastou, de trás de uma cortina, uma caixa ideal para comportar uma pessoa em pé, eu podia apostar que era pra mim. Ele abriu a porta da caixa e a plateia ovacionou. Me assustou um pouco ver que as arquibancadas estavam novamente lotadas, acho que enlouqueci. Todos riam de mim, ele sinalizou que eu deveria entrar na caixa e assim o fiz.
O circense fechou a caixa, era escuro e apertado lá dentro, ele abriu uma portinhola que deixava visível meu rosto. A plateia continuava rindo, mas os risos agora eram macabros. Eu olhei para as arquibancadas já com certa arritmia cardíaca e levei um tremendo susto quando vi que a plateia agora era composta por palhaços. Muitos deles, todos gargalhando macabramente.
“Por favor, deixe-me sair, não quero participar do número”, eu disse. Mas o palhaço parecia não me ouvir. Ele então olhou-me nos olhos – os dele agora eram vermelhos e brilhantes - com uma gargalhada que me apavorou. A portinha foi fechada, senti um calafrio, aquele era o palhaço mais assustador que eu já tinha visto. Dentro da caixa eu não enxergava nada, apenas ouvia as macabras risadas, minha respiração ofegante e a veloz palpitação do meu coração.
De súbito as gargalhadas cessaram. Um silêncio ensurdecedor tomou conta daquela caixa que deixava qualquer um claustrofóbico, só ouvia minha respiração e meu coração. Aos poucos esses dois ruídos acalmaram. “Oi? O que houve?” perguntei. Nada foi respondido. Empurrei a porta da caixa e a abri, o lugar estava completamente vazio. Nada de palhaços, nem no picadeiro nem na plateia. As luzes estavam agora desligadas, era noite. Um pavor enorme tomou conta de mim.
O circo nunca esteve tão sem cores, tão silencioso e tão aterrorizante. Um barulho de lona balançando me chamou a atenção. Era na saída. A lona vermelha balançava com o vento. Sem pensar saí correndo em direção à origem do barulho, queria ir embora dali. Ao me aproximar da saída, uma dúvida surgiu: “o que estaria me esperando lá fora?”, “estariam ali os palhaços?”. Deixei o circo e, para apavorar ainda mais, ele estava montado em uma floresta. Não havia sinal de civilização para qualquer lado que eu olhava. “Talvez do outro lado” pensei. Corri pela lateral do circo, ofegante de terror. O vento balançava os folhos da lona, o que deixava minha corrida ainda mais longa. Com o pescoço esticado eu procurava ver com antecedência o que havia à frente. Ao chegar do outro lado meu coração quase sai pela boca, e os olhos se encheram de lágrimas. Havia floresta por todos os lados. Eu tremia de medo, pensei que seria mais sábio voltar para dentro do circo e procurar alguém que me explicasse onde estávamos e como sair.
Dei meia volta e me choquei com algo macio. Olhei para cima e fui fitado por olhos enormes que brilhavam num vermelho sangue e recebido por um sorriso macabro numa face cheia de maquiagem. Eu gritei e meu grito se misturou a uma gargalhada sádica emitida pelo palhaço. Dei meia volta e corri o mais depressa que pude. Corri sem olhar para trás e o pânico impedia que me cansasse, eu já tinha corrido por uns cinco minutos quando tropecei num toco e cai. Não senti dor, provavelmente pelo medo. Mas precisava ficar de pé, precisava de prevenção contra alguém que pudesse estar por perto.
Rapidamente me levantei. As árvores a minha frente estavam estranhamente com rostos de palhaços gargalhando estampados em seus troncos. Virei-me de costas para correr pra longe, e dei de cara com a entrada do circo. Comecei a chorar de pavor. Um choro silencioso. Dentro do circo eu podia ver cerca de cinco palhaços no centro do picadeiro se apresentando, pareciam não ter notado minha presença. Dei curtos passos para trás, devagar, ao som daquela música tradicional de circos que tocava lá dentro. De repente uma forte rajada de vento arrancou a lona do circo. A música parou, os palhaços do picadeiro olharam para mim, com os olhos acesos. A plateia, repleta deles também, me fitou. Entrei em choque, petrifiquei. Diversas gargalhadas começaram a se misturar e os palhaços começaram a correr em minha direção. Voltei-me para trás e comecei a correr o mais depressa que pude. Corri sem olhar para trás, cheguei à beira de um morro quase vertical, não tive tempo de parar. Cai em alta velocidade, como uma esfera humana.
Foram uns trinta segundos de queda, até que senti meu corpo tocar o chão e parar de rolar. Levantei- me rápido e continuei a correr. Olhei rapidamente para trás e vi dezenas de palhaços descendo o morro, alguns quase no fim dele. Corri ainda mais, as gargalhadas quase me enlouqueciam. A mata começava a ficar mais densa a minha frente, plantas me batiam no rosto e eu precisava afastá-las com as mãos. Já não conseguia correr depressa em virtude da quantidade de plantas que precisava afastar para passar. Cheguei num ponto onde tive que abrir brechas na vegetação e entrar de lado, ou mesmo de cabeça, até que para minha surpresa, a mata terminou.
Eu estava agora numa pequena vila com cerca de dez casas. As gargalhadas haviam cessado, mas eu temia que eles estivessem perto. Corri para a casa mais próxima e bati, empurrei a porta, mexi na maçaneta, gritei por socorro. Logo escutei o ruído de uma chave na fechadura. A porta se abriu lentamente com um ranger. Estava muito escuro, eu não conseguia ver o interior da casa, mas logo um relâmpago que se misturou a uma gargalhada me mostrou que o meu anfitrião era outro palhaço. Cai para trás, e me arrastei como caranguejo. Girei e comecei a andar de quatro, o pavor tomou conta de mim novamente. Levantei-me e segui correndo. As portas e janelas de todas as casas se abriam, revelando palhaços que me observavam estáticos, apenas gargalhando, com seus arrepiantes olhos vermelhos.
Corri para o lado oposto ao da mata, para a outra extremidade da vila. Cheguei até a igreja que ficava no fim da vila, não havia estrada, fios de luz ou telefone, mas a igreja estava clara. Empurrei as enormes portas de madeira, imaginando que ali estaria a salvo de todo e qualquer demônio. As portas rangeram alto, mas abriram. Fechei-as novamente, imaginando que de alguma forma me protegeria dos palhaços lá fora. Havia velas por toda a parte, o que iluminava o lugar. Ao fundo havia um crucifixo pendurado, e atrás do mesmo um enorme vitral. Mas o Cristo do crucifixo estava coberto. Aproximei-me rápido do altar e me ajoelhei, iniciando uma reza mista de pranto e pavor. Eu chorava baixinho implorando que aquilo tudo acabasse, logo ouvi ruídos na porta e um calafrio me tomou o corpo. Subi no altar, meu plano era remover o crucifixo, quebrar o vitral e fugir pelos fundos.
Quando coloquei a mão no crucifixo, o pano que o cobria caiu, havia um palhaço crucificado. Atirei o crucifixo longe, em pânico. Olhando para trás avistei dois palhaços em vestes de padre se aproximando e o pavor tomou conta do meu ser. Com o cotovelo quebrei uma parte do vitral e pulei para fora. Cai de bruços, levantei depressa e o que encontrei foi um circo, novamente a entrada estava bem na minha frente. Corri pela lateral da igreja, buscando voltar para a vila. Quando contornei a igreja, a vila estava vazia e as portas do templo abertas. Escutei um canto, que lembrava um canto gregoriano, vindo do interior da igreja, dei passos sutis em direção à entrada do lugar e observei de canto. Havia dezenas de palhaços sentados nos bancos, um grupo no canto com partituras e um deles estava vestido de padre. Todos cantavam algo indecifrável.
Corri para longe dali, em direção à mata, e quando estava próximo da vegetação vi olhos vermelhos brilhando no interior da mesma e recuei, logo palhaços saiam da mata em minha direção. Dei meia volta e corri, mas parei quando vi dezenas deles empunhando foices na frente da igreja, agora em chamas. Mais palhaços saiam de dentro das casas, me cercaram. Cai de joelhos e implorei chorando que tivessem piedade de mim. Eles gargalhavam ensurdecedoramente e continuavam se aproximando a passos curtos. Eles me fitavam tão assustadoramente que fechei os olhos.
As gargalhadas aos poucos se calaram e eu só ouvia meu pranto. Alguns segundos se passaram e abri os olhos. Eu estava no centro do picadeiro, e dezenas, talvez centenas de palhaços gargalhavam e apontavam pra mim. Eles estavam por toda parte, não havia saída. Fechei os olhos novamente, ofegante de pavor, na esperança de que quando os abrisse estaria fora dali. As gargalhadas pararam, mas um ruído e odor peculiar invadiram meus sentidos. Abri os olhos, o circo estava em chamas! Havia fogo na parte inferior de todo o circo, não tinha pra onde correr.
Cai novamente de joelhos e comecei a chorar, as gargalhadas voltaram. “SEUS MONSTROS! ME TIREM DAQUI! EU FAÇO QUALQUER COISA! PAREM COM ESSA TORTURA!” eu gritei, aos prantos, mas as gargalhadas só aumentaram. Logo o fogo havia tomado toda a lona e a sustentação começava a cair. Em pouco tempo não havia sustentação para a lona e ela despencou. “NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!” gritei enquanto aguardava a queda da lona em chamas. Uma potente e apavorante gargalhada tomou conta do ambiente e a lona despencou sobre minha cabeça.
O palhaço me chamou para o picadeiro e eu não tive escolha. Ele arrastou, de trás de uma cortina, uma caixa ideal para comportar uma pessoa em pé, eu podia apostar que era pra mim. Ele abriu a porta da caixa e a plateia ovacionou. Me assustou um pouco ver que as arquibancadas estavam novamente lotadas, acho que enlouqueci. Todos riam de mim, ele sinalizou que eu deveria entrar na caixa e assim o fiz.
O circense fechou a caixa, era escuro e apertado lá dentro, ele abriu uma portinhola que deixava visível meu rosto. A plateia continuava rindo, mas os risos agora eram macabros. Eu olhei para as arquibancadas já com certa arritmia cardíaca e levei um tremendo susto quando vi que a plateia agora era composta por palhaços. Muitos deles, todos gargalhando macabramente.
“Por favor, deixe-me sair, não quero participar do número”, eu disse. Mas o palhaço parecia não me ouvir. Ele então olhou-me nos olhos – os dele agora eram vermelhos e brilhantes - com uma gargalhada que me apavorou. A portinha foi fechada, senti um calafrio, aquele era o palhaço mais assustador que eu já tinha visto. Dentro da caixa eu não enxergava nada, apenas ouvia as macabras risadas, minha respiração ofegante e a veloz palpitação do meu coração.
De súbito as gargalhadas cessaram. Um silêncio ensurdecedor tomou conta daquela caixa que deixava qualquer um claustrofóbico, só ouvia minha respiração e meu coração. Aos poucos esses dois ruídos acalmaram. “Oi? O que houve?” perguntei. Nada foi respondido. Empurrei a porta da caixa e a abri, o lugar estava completamente vazio. Nada de palhaços, nem no picadeiro nem na plateia. As luzes estavam agora desligadas, era noite. Um pavor enorme tomou conta de mim.
O circo nunca esteve tão sem cores, tão silencioso e tão aterrorizante. Um barulho de lona balançando me chamou a atenção. Era na saída. A lona vermelha balançava com o vento. Sem pensar saí correndo em direção à origem do barulho, queria ir embora dali. Ao me aproximar da saída, uma dúvida surgiu: “o que estaria me esperando lá fora?”, “estariam ali os palhaços?”. Deixei o circo e, para apavorar ainda mais, ele estava montado em uma floresta. Não havia sinal de civilização para qualquer lado que eu olhava. “Talvez do outro lado” pensei. Corri pela lateral do circo, ofegante de terror. O vento balançava os folhos da lona, o que deixava minha corrida ainda mais longa. Com o pescoço esticado eu procurava ver com antecedência o que havia à frente. Ao chegar do outro lado meu coração quase sai pela boca, e os olhos se encheram de lágrimas. Havia floresta por todos os lados. Eu tremia de medo, pensei que seria mais sábio voltar para dentro do circo e procurar alguém que me explicasse onde estávamos e como sair.
Dei meia volta e me choquei com algo macio. Olhei para cima e fui fitado por olhos enormes que brilhavam num vermelho sangue e recebido por um sorriso macabro numa face cheia de maquiagem. Eu gritei e meu grito se misturou a uma gargalhada sádica emitida pelo palhaço. Dei meia volta e corri o mais depressa que pude. Corri sem olhar para trás e o pânico impedia que me cansasse, eu já tinha corrido por uns cinco minutos quando tropecei num toco e cai. Não senti dor, provavelmente pelo medo. Mas precisava ficar de pé, precisava de prevenção contra alguém que pudesse estar por perto.
Rapidamente me levantei. As árvores a minha frente estavam estranhamente com rostos de palhaços gargalhando estampados em seus troncos. Virei-me de costas para correr pra longe, e dei de cara com a entrada do circo. Comecei a chorar de pavor. Um choro silencioso. Dentro do circo eu podia ver cerca de cinco palhaços no centro do picadeiro se apresentando, pareciam não ter notado minha presença. Dei curtos passos para trás, devagar, ao som daquela música tradicional de circos que tocava lá dentro. De repente uma forte rajada de vento arrancou a lona do circo. A música parou, os palhaços do picadeiro olharam para mim, com os olhos acesos. A plateia, repleta deles também, me fitou. Entrei em choque, petrifiquei. Diversas gargalhadas começaram a se misturar e os palhaços começaram a correr em minha direção. Voltei-me para trás e comecei a correr o mais depressa que pude. Corri sem olhar para trás, cheguei à beira de um morro quase vertical, não tive tempo de parar. Cai em alta velocidade, como uma esfera humana.
Foram uns trinta segundos de queda, até que senti meu corpo tocar o chão e parar de rolar. Levantei- me rápido e continuei a correr. Olhei rapidamente para trás e vi dezenas de palhaços descendo o morro, alguns quase no fim dele. Corri ainda mais, as gargalhadas quase me enlouqueciam. A mata começava a ficar mais densa a minha frente, plantas me batiam no rosto e eu precisava afastá-las com as mãos. Já não conseguia correr depressa em virtude da quantidade de plantas que precisava afastar para passar. Cheguei num ponto onde tive que abrir brechas na vegetação e entrar de lado, ou mesmo de cabeça, até que para minha surpresa, a mata terminou.
Eu estava agora numa pequena vila com cerca de dez casas. As gargalhadas haviam cessado, mas eu temia que eles estivessem perto. Corri para a casa mais próxima e bati, empurrei a porta, mexi na maçaneta, gritei por socorro. Logo escutei o ruído de uma chave na fechadura. A porta se abriu lentamente com um ranger. Estava muito escuro, eu não conseguia ver o interior da casa, mas logo um relâmpago que se misturou a uma gargalhada me mostrou que o meu anfitrião era outro palhaço. Cai para trás, e me arrastei como caranguejo. Girei e comecei a andar de quatro, o pavor tomou conta de mim novamente. Levantei-me e segui correndo. As portas e janelas de todas as casas se abriam, revelando palhaços que me observavam estáticos, apenas gargalhando, com seus arrepiantes olhos vermelhos.
Corri para o lado oposto ao da mata, para a outra extremidade da vila. Cheguei até a igreja que ficava no fim da vila, não havia estrada, fios de luz ou telefone, mas a igreja estava clara. Empurrei as enormes portas de madeira, imaginando que ali estaria a salvo de todo e qualquer demônio. As portas rangeram alto, mas abriram. Fechei-as novamente, imaginando que de alguma forma me protegeria dos palhaços lá fora. Havia velas por toda a parte, o que iluminava o lugar. Ao fundo havia um crucifixo pendurado, e atrás do mesmo um enorme vitral. Mas o Cristo do crucifixo estava coberto. Aproximei-me rápido do altar e me ajoelhei, iniciando uma reza mista de pranto e pavor. Eu chorava baixinho implorando que aquilo tudo acabasse, logo ouvi ruídos na porta e um calafrio me tomou o corpo. Subi no altar, meu plano era remover o crucifixo, quebrar o vitral e fugir pelos fundos.
Quando coloquei a mão no crucifixo, o pano que o cobria caiu, havia um palhaço crucificado. Atirei o crucifixo longe, em pânico. Olhando para trás avistei dois palhaços em vestes de padre se aproximando e o pavor tomou conta do meu ser. Com o cotovelo quebrei uma parte do vitral e pulei para fora. Cai de bruços, levantei depressa e o que encontrei foi um circo, novamente a entrada estava bem na minha frente. Corri pela lateral da igreja, buscando voltar para a vila. Quando contornei a igreja, a vila estava vazia e as portas do templo abertas. Escutei um canto, que lembrava um canto gregoriano, vindo do interior da igreja, dei passos sutis em direção à entrada do lugar e observei de canto. Havia dezenas de palhaços sentados nos bancos, um grupo no canto com partituras e um deles estava vestido de padre. Todos cantavam algo indecifrável.
Corri para longe dali, em direção à mata, e quando estava próximo da vegetação vi olhos vermelhos brilhando no interior da mesma e recuei, logo palhaços saiam da mata em minha direção. Dei meia volta e corri, mas parei quando vi dezenas deles empunhando foices na frente da igreja, agora em chamas. Mais palhaços saiam de dentro das casas, me cercaram. Cai de joelhos e implorei chorando que tivessem piedade de mim. Eles gargalhavam ensurdecedoramente e continuavam se aproximando a passos curtos. Eles me fitavam tão assustadoramente que fechei os olhos.
As gargalhadas aos poucos se calaram e eu só ouvia meu pranto. Alguns segundos se passaram e abri os olhos. Eu estava no centro do picadeiro, e dezenas, talvez centenas de palhaços gargalhavam e apontavam pra mim. Eles estavam por toda parte, não havia saída. Fechei os olhos novamente, ofegante de pavor, na esperança de que quando os abrisse estaria fora dali. As gargalhadas pararam, mas um ruído e odor peculiar invadiram meus sentidos. Abri os olhos, o circo estava em chamas! Havia fogo na parte inferior de todo o circo, não tinha pra onde correr.
Cai novamente de joelhos e comecei a chorar, as gargalhadas voltaram. “SEUS MONSTROS! ME TIREM DAQUI! EU FAÇO QUALQUER COISA! PAREM COM ESSA TORTURA!” eu gritei, aos prantos, mas as gargalhadas só aumentaram. Logo o fogo havia tomado toda a lona e a sustentação começava a cair. Em pouco tempo não havia sustentação para a lona e ela despencou. “NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!” gritei enquanto aguardava a queda da lona em chamas. Uma potente e apavorante gargalhada tomou conta do ambiente e a lona despencou sobre minha cabeça.
Frase Musical do Dia
"I know a good thing must come to an end, but it's hard to take losing a friend. I know what you think and what's in your mind, so darling, look, why pretend?"
Música: I Know There's Something Going On
Artista: Frida
Composição: Russ Ballard
Música: I Know There's Something Going On
Artista: Frida
Composição: Russ Ballard
sexta-feira, 14 de maio de 2010
A Corrida
Foi esta manhã. Levantei-me cedo e comecei a correr.
Corri, corri, corri...
Corri da minha família que não me entende;
Corri da minha mãe que me fere sem causar danos físicos;
Corri do meu pai que acha que sou um problema;
Corri pra não acreditar nele.
Corri dos meus amigos para deixar de decepcioná-los;
Corri da escola que desperta meus demônios adormecidos;
Corri do trabalho que mais parece uma selva.
Corri da multidão que me cerca e me sufoca;
Corri da solidão que me angustia e apavora;
Corri da carência que ambas me trazem.
Corri, corri, corri...
Corri da minha vida profissional que já bate em minha porta;
Corri da vida amorosa que todos já cobram;
Corri da cobrança de todos para que me torne o que eles sonham.
Corri do medo de viver que me consome;
Corri da responsabilidade e da pressão do mundo;
Corri da pressão que faço sobre mim mesmo, do medo de decepcionar.
Corri das palavras afiadas que são ditas, doem demais;
Corri dos juízes que julgam implacáveis e dos carrascos também.
Corri da morte que ameaça tomar quem eu amo;
Corri porque não tinha medos e porque estava repleto deles.
Corri, corri, corri...
Corri da desgraça que observo todo dia;
Corri da injustiça que contorce meu coração.
Corri da bonança e da angústia, do riso e do peso da consciência dos maus;
Corri da dor e da fé, da lágrima e da consciência limpa dos bons.
Corri da sabedoria e da inteligência que parecem mais distantes a cada nova informação;
Corri da ignorância também.
Corri da saúde e da alegria que são sempre invejadas;
Corri da doença e da tristeza que são sempre exageradas.
Corri dos que pensam ser melhores que os outros;
Corri dos que pensam ser piores.
Corri, corri, corri...
Corri da intolerância e da tolerância excessiva;
Corri da ira e da omissão;
Corri da ingratidão e da submissão;
Corri da fome e da gula;
Corri da avareza e da luxúria;
Corri da ganância e do conformismo;
Corri da impunidade e da punição exagerada.
Corri do amor que só me faz chorar;
Corri da maldade que anda me fazendo rir.
Corri da alegria que sempre vai embora e da tristeza que sempre volta.
Corri, corri, corri...
Corri para a escuridão onde nada tem cor e onde nada me perturba;
Corri para onde ninguém me acharia;
Corri para onde só ouço minha voz e meus pensamentos;
Corri para onde só ouço meu choro e minha gargalhada.
Corri para onde ninguém me fere e eu não firo ninguém;
Corri para longe das pessoas;
Corri de quem odeio e de quem amo;
Corri de quem nem conheço;
Corri de tudo e de todos.
Corri de mim mesmo...
Corri, corri, corri...
Continuo correndo, e já anoiteceu. Várias vezes. E a vontade de correr ainda não passou. Mas não se preocupe, toda corrida acaba, cedo ou tarde. Seja por acabar a energia, seja por alcançar o objetivo, seja por desistência.
Não tente entender minha corrida, não tente participar. É uma corrida sem explicação convincente e é uma corrida solitária.
É apenas uma corrida. Uma corrida só minha. Esse foi apenas um relato do dia em que comecei a correr.
E corri, corri, corri...
Corri, corri, corri...
Corri da minha família que não me entende;
Corri da minha mãe que me fere sem causar danos físicos;
Corri do meu pai que acha que sou um problema;
Corri pra não acreditar nele.
Corri dos meus amigos para deixar de decepcioná-los;
Corri da escola que desperta meus demônios adormecidos;
Corri do trabalho que mais parece uma selva.
Corri da multidão que me cerca e me sufoca;
Corri da solidão que me angustia e apavora;
Corri da carência que ambas me trazem.
Corri, corri, corri...
Corri da minha vida profissional que já bate em minha porta;
Corri da vida amorosa que todos já cobram;
Corri da cobrança de todos para que me torne o que eles sonham.
Corri do medo de viver que me consome;
Corri da responsabilidade e da pressão do mundo;
Corri da pressão que faço sobre mim mesmo, do medo de decepcionar.
Corri das palavras afiadas que são ditas, doem demais;
Corri dos juízes que julgam implacáveis e dos carrascos também.
Corri da morte que ameaça tomar quem eu amo;
Corri porque não tinha medos e porque estava repleto deles.
Corri, corri, corri...
Corri da desgraça que observo todo dia;
Corri da injustiça que contorce meu coração.
Corri da bonança e da angústia, do riso e do peso da consciência dos maus;
Corri da dor e da fé, da lágrima e da consciência limpa dos bons.
Corri da sabedoria e da inteligência que parecem mais distantes a cada nova informação;
Corri da ignorância também.
Corri da saúde e da alegria que são sempre invejadas;
Corri da doença e da tristeza que são sempre exageradas.
Corri dos que pensam ser melhores que os outros;
Corri dos que pensam ser piores.
Corri, corri, corri...
Corri da intolerância e da tolerância excessiva;
Corri da ira e da omissão;
Corri da ingratidão e da submissão;
Corri da fome e da gula;
Corri da avareza e da luxúria;
Corri da ganância e do conformismo;
Corri da impunidade e da punição exagerada.
Corri do amor que só me faz chorar;
Corri da maldade que anda me fazendo rir.
Corri da alegria que sempre vai embora e da tristeza que sempre volta.
Corri, corri, corri...
Corri para a escuridão onde nada tem cor e onde nada me perturba;
Corri para onde ninguém me acharia;
Corri para onde só ouço minha voz e meus pensamentos;
Corri para onde só ouço meu choro e minha gargalhada.
Corri para onde ninguém me fere e eu não firo ninguém;
Corri para longe das pessoas;
Corri de quem odeio e de quem amo;
Corri de quem nem conheço;
Corri de tudo e de todos.
Corri de mim mesmo...
Corri, corri, corri...
Continuo correndo, e já anoiteceu. Várias vezes. E a vontade de correr ainda não passou. Mas não se preocupe, toda corrida acaba, cedo ou tarde. Seja por acabar a energia, seja por alcançar o objetivo, seja por desistência.
Não tente entender minha corrida, não tente participar. É uma corrida sem explicação convincente e é uma corrida solitária.
É apenas uma corrida. Uma corrida só minha. Esse foi apenas um relato do dia em que comecei a correr.
E corri, corri, corri...
Frase Musical do Dia
"I'll remember the strength that you gave me. Now that I'm standing on my own. I'll remember the way that you saved me...
I'll remember."
Música: I'll Remember
Artista: Madonna
Composição: Madonna, Patrick Leonard e Richard Page
I'll remember."
Música: I'll Remember
Artista: Madonna
Composição: Madonna, Patrick Leonard e Richard Page
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Quando Entrei Numa Enrascada
Quando seu sorriso se tornou o mais contagiante;
Quando seus olhos se tornaram os mais atraentes;
Quando seus lábios se tornaram os mais doces;
Quando seu cabelo se tornou o mais cheiroso;
Quando seu cheiro se tornou o mais potente feromônio;
Quando suas mãos se tornaram as mais belas e macias;
Quando sua voz se tornou o mais agradável som;
Quando sua banda favorita entrou para minha playslist;
Quando aquela música que ouvimos juntos se tornou a melhor e mais nostálgica de todas;
Quando sua comida favorita tornou-se a única receita que decorei;
Quando você se tornou a pessoa mais linda, inteligente, gentil e divertida;
Quando seu modo de ser se tornou o mais próximo da perfeição;
Quando suspirei ao seu lado e chorei distante de ti...
Aí sim eu me dei conta de que eu tinha entrado numa enorme enrascada!
Quando seus olhos se tornaram os mais atraentes;
Quando seus lábios se tornaram os mais doces;
Quando seu cabelo se tornou o mais cheiroso;
Quando seu cheiro se tornou o mais potente feromônio;
Quando suas mãos se tornaram as mais belas e macias;
Quando sua voz se tornou o mais agradável som;
Quando sua banda favorita entrou para minha playslist;
Quando aquela música que ouvimos juntos se tornou a melhor e mais nostálgica de todas;
Quando sua comida favorita tornou-se a única receita que decorei;
Quando você se tornou a pessoa mais linda, inteligente, gentil e divertida;
Quando seu modo de ser se tornou o mais próximo da perfeição;
Quando suspirei ao seu lado e chorei distante de ti...
Aí sim eu me dei conta de que eu tinha entrado numa enorme enrascada!
Frase Musical do Dia
"I'm in love with you, you silly thing, anyone can see. What is it with you, you silly thing? Just take it from me. You could take all this, take it away. I'd still have it all"
Música: Nothing Fails
Artista: Madonna
Composição: Madonna, Guy Sigsworth e Jem Griffiths
Música: Nothing Fails
Artista: Madonna
Composição: Madonna, Guy Sigsworth e Jem Griffiths
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Fantasmas
Sabe papai do céu, tem uma coisa que me deixa com muito medo. São fantasmas... Eu tenho muito, muito medo de fantasmas. Eu nunca vi um, mas tem vezes que parece que eles estão me vendo. Dá mais medo eles me verem e eu não poder ver eles. Eu acho. Quem sabe o que eles estão fazendo? O que estão planejando? Acho que só esperam eu dormir.
Eu podia chamar a mamãe, ela sempre me acalmava. Ela não tinha medo de fantasma. Mas desde que o papai foi embora, eu acho que ela começou a ter medo deles também. Mas não fico triste com ela não. Entendo o medo dela muito bem. Vai ver o papai era quem acalmava ela quando eles apareciam.
Por isso gosto de dormir na casa da vovó. Ela não tem medo dos fantasmas. Ela é durona, acho que assusta eles. E o vovô é tão engraçado que os fantasmas devem perder a vontade de assustar. Mas parece que a mamãe tem mais medo quando durmo na vovó, por isso não durmo muitos dias lá. Ela devia passar mais tempo com o vovô e com a vovó. Acho que eles podem ensinar pra ela como não ter medo de fantasma. Qualquer dia peço pra ensinarem pra mim, mas só daqui mais uns tempos, quando eu tiver menos medo.
Papai do céu, outro dia ouvi a mamãe conversando com o senhor, ela pediu pro senhor cuidar do papai no céu. Ele está no céu com o senhor? Ou ele é o fantasma que a mamãe tem medo? É porque ele foi embora que ela pede pro senhor cuidar dele? Se ele voltar mesmo, tomara que seja logo. Porque sabe, vou te contar um segredo, tem vezes que os fantasmas me fazem chorar. Eu fico de olho neles, mas acabo dormindo e não sei o que fazem depois. Mas é bom quando durmo. Aí tenho mais um dia inteirinho antes deles voltarem.
Não sei quanto tempo eles vão fazer isso, nem quando vou conseguir pedir pra vovó me ensinar. Sem o papai e com o vovô e a vovó longe, fico sem ajuda. Se puder, faz eles irem embora? Sei que tem outras coisas importantes pra fazer... Mas é só até o papai voltar.
Boa noite pro senhor!
Eu podia chamar a mamãe, ela sempre me acalmava. Ela não tinha medo de fantasma. Mas desde que o papai foi embora, eu acho que ela começou a ter medo deles também. Mas não fico triste com ela não. Entendo o medo dela muito bem. Vai ver o papai era quem acalmava ela quando eles apareciam.
Por isso gosto de dormir na casa da vovó. Ela não tem medo dos fantasmas. Ela é durona, acho que assusta eles. E o vovô é tão engraçado que os fantasmas devem perder a vontade de assustar. Mas parece que a mamãe tem mais medo quando durmo na vovó, por isso não durmo muitos dias lá. Ela devia passar mais tempo com o vovô e com a vovó. Acho que eles podem ensinar pra ela como não ter medo de fantasma. Qualquer dia peço pra ensinarem pra mim, mas só daqui mais uns tempos, quando eu tiver menos medo.
Papai do céu, outro dia ouvi a mamãe conversando com o senhor, ela pediu pro senhor cuidar do papai no céu. Ele está no céu com o senhor? Ou ele é o fantasma que a mamãe tem medo? É porque ele foi embora que ela pede pro senhor cuidar dele? Se ele voltar mesmo, tomara que seja logo. Porque sabe, vou te contar um segredo, tem vezes que os fantasmas me fazem chorar. Eu fico de olho neles, mas acabo dormindo e não sei o que fazem depois. Mas é bom quando durmo. Aí tenho mais um dia inteirinho antes deles voltarem.
Não sei quanto tempo eles vão fazer isso, nem quando vou conseguir pedir pra vovó me ensinar. Sem o papai e com o vovô e a vovó longe, fico sem ajuda. Se puder, faz eles irem embora? Sei que tem outras coisas importantes pra fazer... Mas é só até o papai voltar.
Boa noite pro senhor!
Frase Musical do Dia
"Cool I am when I am with you, cool I'm not when I am lonely...
I feel so sad, what I did wasn't right. I feel so bad and I must say to you:
Sorry, but... Nobody's perfect. What did you expect? I'm doing my best."
Música: Nobody's Perfect
Artista: Madonna
Composição: Madonna e Mirwais Ahmadzai
I feel so sad, what I did wasn't right. I feel so bad and I must say to you:
Sorry, but... Nobody's perfect. What did you expect? I'm doing my best."
Música: Nobody's Perfect
Artista: Madonna
Composição: Madonna e Mirwais Ahmadzai
terça-feira, 11 de maio de 2010
Caminhos
A vida é feita de caminhos. Quando você é pequeno seus pais ou responsáveis lhe colocam em um caminho. São diversas encruzilhadas em que eles precisam decidir onde entrar. Você vai crescendo e as encruzilhadas se seguem, agora existem outras pessoas que vão pesar nas decisões. Mas aí você adquire certa consciência e passa a escolher sozinho qual caminho seguir em cada uma das encruzilhadas. É claro que sempre haverá pessoas de peso em suas decisões, muitas vezes seus pais novamente, cônjuge, filhos, amigos, etc. Mas no fim a decisão é só sua.
O problema é que na maioria das vezes, quando se escolhe um caminho, ele é sem volta. Você talvez consiga voltar, mas jamais pelo mesmo caminho. Às vezes caem pedras nele, árvores, ou mesmo a pista cede. Às vezes ele foi pavimentado e o que se sente ao cruzá-lo é bem diferente. Ou o contrário, o pavimento ficou esburacado, aí passar por ali trará sensações desagradáveis. E tem vezes que algo ou alguém fecha aquele caminho para sempre.
Não importa o quão apressado você estiver, sempre que passar por algum caminho, ele fará parte de sua memória para sempre. Ficará gravado, nem que seja em seu subconsciente. Por isso é importante procurar saber o que há no caminho que seguirá. Estar bem informado, de fontes seguras, é o melhor que se pode fazer. Mas cuidado! Muitos inventarão barreiras para que não sigas o caminho bom, e muitos criarão facilidades para que entre na pior rodovia. É importante saber que nem sempre as informações obtidas serão condizentes com o que encontrará. Afinal cada um tem um ponto de vista e, além disso, o trajeto pode ter sido alterado. Por isso é indispensável manter os faróis sempre bem acesos e com a manutenção em dia.
Tem vezes em que, por mais difícil que seja de cruzar um caminho, é por ali que encontrará a felicidade, é no fim daquela estrada que se encontra o porto seguro. Atalhar nem sempre é aconselhável, atalhos costumam ser instáveis, sem a devida fiscalização, sem a devida sinalização, sem a devida gratificação.
Caminhos rápidos vão dar em lugares próximos, que se pode voltar rápido; caminhos longos vão dar em lugares distantes, lugares até mesmo com outro tipo de realidade, onde você talvez jamais queira sair, ou tente com todas as forças fugir. E quando se vai longe o risco da gasolina acabar na volta é bem maior, ou do caminho pelo qual passou ter sido drasticamente alterado.
Cada caminho guarda diversas coisas. Surpresas, alegrias, decepções. E lembre-se: existem caminhos sem volta, e outros de volta imediata. Ambos podem ser bons ou ruins. Caminhos que podem lhe causar sérios problemas em todo o automóvel e aqueles que vão tirar de vez a poeira que cobre o motor e carregar sua bateria estagnada.
Mas não existe caminho onde seus pneus não deixarão marcas, nem caminhos que não irão gastá-los.
O problema é que na maioria das vezes, quando se escolhe um caminho, ele é sem volta. Você talvez consiga voltar, mas jamais pelo mesmo caminho. Às vezes caem pedras nele, árvores, ou mesmo a pista cede. Às vezes ele foi pavimentado e o que se sente ao cruzá-lo é bem diferente. Ou o contrário, o pavimento ficou esburacado, aí passar por ali trará sensações desagradáveis. E tem vezes que algo ou alguém fecha aquele caminho para sempre.
Não importa o quão apressado você estiver, sempre que passar por algum caminho, ele fará parte de sua memória para sempre. Ficará gravado, nem que seja em seu subconsciente. Por isso é importante procurar saber o que há no caminho que seguirá. Estar bem informado, de fontes seguras, é o melhor que se pode fazer. Mas cuidado! Muitos inventarão barreiras para que não sigas o caminho bom, e muitos criarão facilidades para que entre na pior rodovia. É importante saber que nem sempre as informações obtidas serão condizentes com o que encontrará. Afinal cada um tem um ponto de vista e, além disso, o trajeto pode ter sido alterado. Por isso é indispensável manter os faróis sempre bem acesos e com a manutenção em dia.
Tem vezes em que, por mais difícil que seja de cruzar um caminho, é por ali que encontrará a felicidade, é no fim daquela estrada que se encontra o porto seguro. Atalhar nem sempre é aconselhável, atalhos costumam ser instáveis, sem a devida fiscalização, sem a devida sinalização, sem a devida gratificação.
Caminhos rápidos vão dar em lugares próximos, que se pode voltar rápido; caminhos longos vão dar em lugares distantes, lugares até mesmo com outro tipo de realidade, onde você talvez jamais queira sair, ou tente com todas as forças fugir. E quando se vai longe o risco da gasolina acabar na volta é bem maior, ou do caminho pelo qual passou ter sido drasticamente alterado.
Cada caminho guarda diversas coisas. Surpresas, alegrias, decepções. E lembre-se: existem caminhos sem volta, e outros de volta imediata. Ambos podem ser bons ou ruins. Caminhos que podem lhe causar sérios problemas em todo o automóvel e aqueles que vão tirar de vez a poeira que cobre o motor e carregar sua bateria estagnada.
Mas não existe caminho onde seus pneus não deixarão marcas, nem caminhos que não irão gastá-los.
Frase Musical do Dia
" I'm no stranger to deception, I've lied and been lied too. I'm not paragon of virtue, but I wanna be with you.
I have never been a righteous soul and I don't pretend I am, but I walk the line when I'm with you 'cause you make me believe I can. "
Música: Across The Sky
Artista: Madonna
Composição: Madonna, Justin T. e Timbaland
I have never been a righteous soul and I don't pretend I am, but I walk the line when I'm with you 'cause you make me believe I can. "
Música: Across The Sky
Artista: Madonna
Composição: Madonna, Justin T. e Timbaland
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