LET'S GET UNCONSCIOUS HONEY

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Conceito Estabelecido

-Mas por que é errado?

-Porque é errado, são conceitos estabelecidos.

-Mas e se eu estabelecesse os conceitos e dissesse que é certo?

-Mas você não os estabelece.

-E se eu estabelecesse e dissesse que é diferente?

-Ainda assim seria errado pelo meu ponto de vista.

-Mas seria um conceito estabelecido.

-Mas um conceito errado.

-Pelo seu ponto de vista.

-Sim. Mas é ele que importa pra mim. São os meus ideais.

-Sim, seus ideais e sua vida, certo?

-Certo.

-Por isso eu digo que é certo e não errado. Afinal é a minha vida que está em jogo.

Frase Musical do Dia

"I remember when you were the one; you were my friend; you gave me life; you were the sun.
You told me things; I didn't run; I felt in my knees; I didn't know why.
I started to breath; I wanted to cry.
You don't know what you got till it's gone and everything in life just goes wrong. It feels like nobody's listening and something is missining."

Música: Incredible
Artista: Madonna
Composição: Madonna e Pharrell Williams

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Casa

Existe um mistério naquela velha casa
Tem algo lá que faz todo pássaro pra longe bater a asa
Algo sério, não é coisa rasa
Alguma coisa que é tão quente quanto brasa

Lá dentro, entre quatro paredes
As pessoas saciam todas as suas sedes
Não fale que são imaturos e rebeldes
Tu farias o mesmo, se não, não sabes o que perdes

O que fazem lá dentro é segredo
Tão secreto que de dar o endereço eles têm medo
Mas juro que para entrar daria meu dedo

Essa casa, dizem, revela seu eu reprimido
Ou reprime seu eu socialmente corrigido
Não sei, mas aposto como eu sairia de lá muito mais desinibido.

Frase Musical do Dia

"When I wanted to call you and ask you for help, I stopped myself.
What I thought was a dream, a mirage, was as real as it seemed, a privilege.
When I wanted to tell you, I made a mistake, I walked away.
Gomenasai for everything;
Gomenasai, I know I let you down;
Gomenasai till the end."

Música: Gomenasai
Artista: t.A.T.u.
Composição: Martin Kierszenbaum

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Dilema

Às vezes acho que posso viajar pra lugares distantes, para o outro lado do mundo. Que posso enfrentar tudo e todos sozinho, que sou a pessoa mais forte e independente que existe. Mas às vezes me acho tão fraco que não posso dar mais do que meia dúzia de passos sem segurar sua mão.

Tem vezes em que tudo me parece tão medíocre e eu desejo quebrar a rotina pacata e brilhar mais do que qualquer astro na constelação da vida. Mas tem vezes em que acho que não há nada melhor do que um lar, onde serei todo dia recebido com amor e carinho. Um lugar meu onde posso ser quem sou e estar com quem amo.
Por vezes sinto necessidade de ser visto por todos, conhecido pelo mundo, de dizer o que penso e semear minhas idéias. Mas por vezes penso que só preciso ser visto por você, que só você merece e precisa conhecer-me a fundo. Penso que apenas você deva compartilhar das minhas idéias e que somente o seu apoio já é mais do que suficiente.

Há horas em que acho que somente o mundo pode ser meu palco e minha platéia, mas há horas em que penso que você é a melhor e mais crítica platéia existente, que não preciso de ninguém mais. Algumas horas quero gritar pro mundo o que sinto, fazer meus prantos ecoarem e minhas gargalhadas ensurdecerem o planeta. Mas algumas horas quero apenas desabafar em segredo no seu ouvido e ser consolado, contar-te uma piada e apenas observar você sorrindo.

Acho que estou num dilema. Será que o que quero é o mundo? Ou será que só quero você?

Frase Musical do Dia

"You can't hurt me now, I got away from you, I never thought I would. You can't make me cry, you once had the power.
I never felt so good about myself."

Música: Oh Father
Artista: Madonna
Composição: Madonna e Patrick Leonard

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Circo

De repente eu estava na arquibancada do circo, havia muita gente ali. O palhaço, no centro do picadeiro, fazia graças e todos gargalhavam. Menos eu, nem sabia o que estava fazendo naquele lugar e não estava achando a menor graça, na verdade estava me sentindo mal. O palhaço precisava de um voluntário para um de seus números, eu tinha certeza que um dos empolgados espectadores se pronunciaria e olhei para o rapaz do meu lado que gargalhava há alguns instantes. Ele não estava mais ali, nem a moça do outro lado, ou o senhor da minha frente. Não havia mais ninguém. Era só eu e o palhaço.

O palhaço me chamou para o picadeiro e eu não tive escolha. Ele arrastou, de trás de uma cortina, uma caixa ideal para comportar uma pessoa em pé, eu podia apostar que era pra mim. Ele abriu a porta da caixa e a plateia ovacionou. Me assustou um pouco ver que as arquibancadas estavam novamente lotadas, acho que enlouqueci. Todos riam de mim, ele sinalizou que eu deveria entrar na caixa e assim o fiz.
O circense fechou a caixa, era escuro e apertado lá dentro, ele abriu uma portinhola que deixava visível meu rosto. A plateia continuava rindo, mas os risos agora eram macabros. Eu olhei para as arquibancadas já com certa arritmia cardíaca e levei um tremendo susto quando vi que a plateia agora era composta por palhaços. Muitos deles, todos gargalhando macabramente.

“Por favor, deixe-me sair, não quero participar do número”, eu disse. Mas o palhaço parecia não me ouvir. Ele então olhou-me nos olhos – os dele agora eram vermelhos e brilhantes - com uma gargalhada que me apavorou. A portinha foi fechada, senti um calafrio, aquele era o palhaço mais assustador que eu já tinha visto. Dentro da caixa eu não enxergava nada, apenas ouvia as macabras risadas, minha respiração ofegante e a veloz palpitação do meu coração.
De súbito as gargalhadas cessaram. Um silêncio ensurdecedor tomou conta daquela caixa que deixava qualquer um claustrofóbico, só ouvia minha respiração e meu coração. Aos poucos esses dois ruídos acalmaram. “Oi? O que houve?” perguntei. Nada foi respondido. Empurrei a porta da caixa e a abri, o lugar estava completamente vazio. Nada de palhaços, nem no picadeiro nem na plateia. As luzes estavam agora desligadas, era noite. Um pavor enorme tomou conta de mim.

O circo nunca esteve tão sem cores, tão silencioso e tão aterrorizante. Um barulho de lona balançando me chamou a atenção. Era na saída. A lona vermelha balançava com o vento. Sem pensar saí correndo em direção à origem do barulho, queria ir embora dali. Ao me aproximar da saída, uma dúvida surgiu: “o que estaria me esperando lá fora?”, “estariam ali os palhaços?”. Deixei o circo e, para apavorar ainda mais, ele estava montado em uma floresta. Não havia sinal de civilização para qualquer lado que eu olhava. “Talvez do outro lado” pensei. Corri pela lateral do circo, ofegante de terror. O vento balançava os folhos da lona, o que deixava minha corrida ainda mais longa. Com o pescoço esticado eu procurava ver com antecedência o que havia à frente. Ao chegar do outro lado meu coração quase sai pela boca, e os olhos se encheram de lágrimas. Havia floresta por todos os lados. Eu tremia de medo, pensei que seria mais sábio voltar para dentro do circo e procurar alguém que me explicasse onde estávamos e como sair.

Dei meia volta e me choquei com algo macio. Olhei para cima e fui fitado por olhos enormes que brilhavam num vermelho sangue e recebido por um sorriso macabro numa face cheia de maquiagem. Eu gritei e meu grito se misturou a uma gargalhada sádica emitida pelo palhaço. Dei meia volta e corri o mais depressa que pude. Corri sem olhar para trás e o pânico impedia que me cansasse, eu já tinha corrido por uns cinco minutos quando tropecei num toco e cai. Não senti dor, provavelmente pelo medo. Mas precisava ficar de pé, precisava de prevenção contra alguém que pudesse estar por perto.

Rapidamente me levantei. As árvores a minha frente estavam estranhamente com rostos de palhaços gargalhando estampados em seus troncos. Virei-me de costas para correr pra longe, e dei de cara com a entrada do circo. Comecei a chorar de pavor. Um choro silencioso. Dentro do circo eu podia ver cerca de cinco palhaços no centro do picadeiro se apresentando, pareciam não ter notado minha presença. Dei curtos passos para trás, devagar, ao som daquela música tradicional de circos que tocava lá dentro. De repente uma forte rajada de vento arrancou a lona do circo. A música parou, os palhaços do picadeiro olharam para mim, com os olhos acesos. A plateia, repleta deles também, me fitou. Entrei em choque, petrifiquei. Diversas gargalhadas começaram a se misturar e os palhaços começaram a correr em minha direção. Voltei-me para trás e comecei a correr o mais depressa que pude. Corri sem olhar para trás, cheguei à beira de um morro quase vertical, não tive tempo de parar. Cai em alta velocidade, como uma esfera humana.

Foram uns trinta segundos de queda, até que senti meu corpo tocar o chão e parar de rolar. Levantei- me rápido e continuei a correr. Olhei rapidamente para trás e vi dezenas de palhaços descendo o morro, alguns quase no fim dele. Corri ainda mais, as gargalhadas quase me enlouqueciam. A mata começava a ficar mais densa a minha frente, plantas me batiam no rosto e eu precisava afastá-las com as mãos. Já não conseguia correr depressa em virtude da quantidade de plantas que precisava afastar para passar. Cheguei num ponto onde tive que abrir brechas na vegetação e entrar de lado, ou mesmo de cabeça, até que para minha surpresa, a mata terminou.

Eu estava agora numa pequena vila com cerca de dez casas. As gargalhadas haviam cessado, mas eu temia que eles estivessem perto. Corri para a casa mais próxima e bati, empurrei a porta, mexi na maçaneta, gritei por socorro. Logo escutei o ruído de uma chave na fechadura. A porta se abriu lentamente com um ranger. Estava muito escuro, eu não conseguia ver o interior da casa, mas logo um relâmpago que se misturou a uma gargalhada me mostrou que o meu anfitrião era outro palhaço. Cai para trás, e me arrastei como caranguejo. Girei e comecei a andar de quatro, o pavor tomou conta de mim novamente. Levantei-me e segui correndo. As portas e janelas de todas as casas se abriam, revelando palhaços que me observavam estáticos, apenas gargalhando, com seus arrepiantes olhos vermelhos.

Corri para o lado oposto ao da mata, para a outra extremidade da vila. Cheguei até a igreja que ficava no fim da vila, não havia estrada, fios de luz ou telefone, mas a igreja estava clara. Empurrei as enormes portas de madeira, imaginando que ali estaria a salvo de todo e qualquer demônio. As portas rangeram alto, mas abriram. Fechei-as novamente, imaginando que de alguma forma me protegeria dos palhaços lá fora. Havia velas por toda a parte, o que iluminava o lugar. Ao fundo havia um crucifixo pendurado, e atrás do mesmo um enorme vitral. Mas o Cristo do crucifixo estava coberto. Aproximei-me rápido do altar e me ajoelhei, iniciando uma reza mista de pranto e pavor. Eu chorava baixinho implorando que aquilo tudo acabasse, logo ouvi ruídos na porta e um calafrio me tomou o corpo. Subi no altar, meu plano era remover o crucifixo, quebrar o vitral e fugir pelos fundos.

Quando coloquei a mão no crucifixo, o pano que o cobria caiu, havia um palhaço crucificado. Atirei o crucifixo longe, em pânico. Olhando para trás avistei dois palhaços em vestes de padre se aproximando e o pavor tomou conta do meu ser. Com o cotovelo quebrei uma parte do vitral e pulei para fora. Cai de bruços, levantei depressa e o que encontrei foi um circo, novamente a entrada estava bem na minha frente. Corri pela lateral da igreja, buscando voltar para a vila. Quando contornei a igreja, a vila estava vazia e as portas do templo abertas. Escutei um canto, que lembrava um canto gregoriano, vindo do interior da igreja, dei passos sutis em direção à entrada do lugar e observei de canto. Havia dezenas de palhaços sentados nos bancos, um grupo no canto com partituras e um deles estava vestido de padre. Todos cantavam algo indecifrável.

Corri para longe dali, em direção à mata, e quando estava próximo da vegetação vi olhos vermelhos brilhando no interior da mesma e recuei, logo palhaços saiam da mata em minha direção. Dei meia volta e corri, mas parei quando vi dezenas deles empunhando foices na frente da igreja, agora em chamas. Mais palhaços saiam de dentro das casas, me cercaram. Cai de joelhos e implorei chorando que tivessem piedade de mim. Eles gargalhavam ensurdecedoramente e continuavam se aproximando a passos curtos. Eles me fitavam tão assustadoramente que fechei os olhos.

As gargalhadas aos poucos se calaram e eu só ouvia meu pranto. Alguns segundos se passaram e abri os olhos. Eu estava no centro do picadeiro, e dezenas, talvez centenas de palhaços gargalhavam e apontavam pra mim. Eles estavam por toda parte, não havia saída. Fechei os olhos novamente, ofegante de pavor, na esperança de que quando os abrisse estaria fora dali. As gargalhadas pararam, mas um ruído e odor peculiar invadiram meus sentidos. Abri os olhos, o circo estava em chamas! Havia fogo na parte inferior de todo o circo, não tinha pra onde correr.

Cai novamente de joelhos e comecei a chorar, as gargalhadas voltaram. “SEUS MONSTROS! ME TIREM DAQUI! EU FAÇO QUALQUER COISA! PAREM COM ESSA TORTURA!” eu gritei, aos prantos, mas as gargalhadas só aumentaram. Logo o fogo havia tomado toda a lona e a sustentação começava a cair. Em pouco tempo não havia sustentação para a lona e ela despencou. “NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!” gritei enquanto aguardava a queda da lona em chamas. Uma potente e apavorante gargalhada tomou conta do ambiente e a lona despencou sobre minha cabeça.